Desenvolvimento de profissionalismo em estudantes do internato médico

04 de junho de 2026

Referência

Desenvolvimento de profissionalismo em estudantes do internato médico.

Kátia Piton Serra et al. REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO MÉDICA, 49 (2): e051, 2025. DOI: https://doi.org/10.1590/1981-5271v49.1-2024-0034

O artigo publicado na RBEM propõe uma discussão robusta sobre as oportunidades de desenvolvimento do profissionalismo durante a formação médica, com ênfase no internato – momento importante do curso, que possibilita a articulação entre competências técnicas e identidade profissional.

Os autores sustentam que o profissionalismo não emerge de modo espontâneo ao longo do curso, nem tampouco é resultado exclusivo do chamado currículo oculto. Ao contrário, requer intencionalidade pedagógica, acompanhamento reflexivo e metodologias ativas que favoreçam o engajamento crítico sobre o tema. A inserção de discussões éticas, simulações clínicas, construção de narrativas e mapas conceituais como parte estruturante do currículo, podem contribuir para o amadurecimento do estudante como sujeito e cidadão comprometido com o cuidado.

Como base teórica, sugerem a incorporação das etapas propostas por Robert Kegan, que permite compreender a formação médica não apenas como aquisição de saberes, mas como processo que atravessa dimensões emocionais, morais e identitárias. A noção de profissionalismo como um “contrato social” entre médico e sociedade — resgatada das diretrizes do Royal College of Physicians — confere densidade à proposta e reforça o vínculo entre ensino e responsabilidade social.

A partir de relato de experiência em instituição do interior paulista, os autores trazem uma proposta madura e bem estruturada, com temas cuidadosamente escolhidos, metodologias adequadas e foco na escuta ativa dos estudantes. Como desdobramentos futuros, fica a proposta de aprofundar a análise dos desafios enfrentados para a implementação contínua dessas práticas nos campos de estágio, especialmente no que se refere à formação de preceptores e à articulação interinstitucional.

Ao final, o artigo reforça a importância de oferecer ao estudante um espaço protegido para refletir sobre sua prática, em diálogo com docentes preparados para acolher e orientar essas experiências. A narrativa é valorizada como ferramenta que permite a elaboração emocional durante os encontros clínicos. Uma leitura pertinente para todos os envolvidos na formação médica — especialmente aqueles que reconhecem que o profissionalismo não se restringe ao que se ensina, mas também ao modo como se ensina.