Programas de desenvolvimento ou de provimento docente? Desafios nas novas escolas do Programa Mais Médicos

04 de junho de 2026

Referência

Programas de desenvolvimento ou de provimento docente? Retrato das escolas federais do Programa Mais Médicos. Marcos Antonio Custódio Neto da Silva et al.

REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO MÉDICA, 49 (4) : e155, 2025DOI: https://doi.org/10.1590/1981-5271v49.4-2024-0180

Este estudo analisa o panorama das escolas médicas federais brasileiras criadas a partir do Programa Mais Médicos de 2013, com foco especial no desenvolvimento docente. Através de uma pesquisa documental, os autores revelam que a maioria dessas instituições ainda enfrenta obstáculos significativos para preencher vagas de professores e técnicos, o que compromete a qualidade do ensino. Os resultados indicam que a maior parte dos cursos não possui programas de capacitação estruturados, oferecendo apenas atividades pedagógicas isoladas e pouco frequentes. Essa carência dificulta a implementação de metodologias ativas de aprendizagem e a interiorização efetiva da formação médica no país. O texto conclui que é urgente fortalecer a gestão acadêmica para profissionalizar o corpo docente e adaptar o ensino às realidades locais. Assim, o trabalho propõe uma reflexão sobre a necessidade de políticas contínuas que garantam a qualificação pedagógica dos professores nessas novas escolas.

A principal mensagem do artigo é que, embora o Programa Mais Médicos (PMM) tenha expandido significativamente a oferta de cursos de medicina no interior do Brasil, essa expansão não foi acompanhada pela estruturação adequada de programas de desenvolvimento docente, resultando em ações pedagógicas fragmentadas e focadas majoritariamente no simples provimento de vagas.

Os pontos fundamentais que compõem essa mensagem central são:

  • Predomínio de ações pontuais sobre programas contínuos: A pesquisa revelou que a maioria das escolas federais do PMM ainda não possui programas de desenvolvimento docente em funcionamento e, quando existem, limitam-se a ações isoladas, como oficinas em semanas pedagógicas, em vez de um processo formativo sequencial e sistemático.
  • Dificuldade de provimento e fixação: O artigo destaca um “déficit crônico” de docentes e servidores. A interiorização das escolas dificultou a fixação de profissionais qualificados em locais remotos, gerando uma alta rotatividade de médicos que muitas vezes não possuem dedicação exclusiva e, consequentemente, têm pouco vínculo com a identidade docente.
  • Risco à qualidade acadêmica: O aumento do número de ingressantes não foi acompanhado proporcionalmente pelo aumento de docentes, o que o artigo caracteriza como um processo de “expansão universitária massificadora” que pode comprometer a qualidade da graduação e a implementação das metodologias ativas exigidas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN).

Necessidade de profissionalização: O estudo conclui que é urgente que as instituições deixem de focar apenas na contratação (provimento) e passem a investir na qualificação contínua (desenvolvimento), criando núcleos regulamentados que apoiem o professor na transição do modelo de ensino tradicional para práticas pedagógicas inovadoras e centradas no aluno.