Referência
Desenvolvimento de profissionalismo em estudantes do internato médico.
Kátia Piton Serra et al. REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO MÉDICA, 49 (2): e051, 2025. DOI: https://doi.org/10.1590/1981-5271v49.1-2024-0034
O artigo publicado na RBEM propõe uma discussão robusta sobre as oportunidades de desenvolvimento do profissionalismo durante a formação médica, com ênfase no internato – momento importante do curso, que possibilita a articulação entre competências técnicas e identidade profissional.
Os autores sustentam que o profissionalismo não emerge de modo espontâneo ao longo do curso, nem tampouco é resultado exclusivo do chamado currículo oculto. Ao contrário, requer intencionalidade pedagógica, acompanhamento reflexivo e metodologias ativas que favoreçam o engajamento crítico sobre o tema. A inserção de discussões éticas, simulações clínicas, construção de narrativas e mapas conceituais como parte estruturante do currículo, podem contribuir para o amadurecimento do estudante como sujeito e cidadão comprometido com o cuidado.
Como base teórica, sugerem a incorporação das etapas propostas por Robert Kegan, que permite compreender a formação médica não apenas como aquisição de saberes, mas como processo que atravessa dimensões emocionais, morais e identitárias. A noção de profissionalismo como um “contrato social” entre médico e sociedade — resgatada das diretrizes do Royal College of Physicians — confere densidade à proposta e reforça o vínculo entre ensino e responsabilidade social.
A partir de relato de experiência em instituição do interior paulista, os autores trazem uma proposta madura e bem estruturada, com temas cuidadosamente escolhidos, metodologias adequadas e foco na escuta ativa dos estudantes. Como desdobramentos futuros, fica a proposta de aprofundar a análise dos desafios enfrentados para a implementação contínua dessas práticas nos campos de estágio, especialmente no que se refere à formação de preceptores e à articulação interinstitucional.
Ao final, o artigo reforça a importância de oferecer ao estudante um espaço protegido para refletir sobre sua prática, em diálogo com docentes preparados para acolher e orientar essas experiências. A narrativa é valorizada como ferramenta que permite a elaboração emocional durante os encontros clínicos. Uma leitura pertinente para todos os envolvidos na formação médica — especialmente aqueles que reconhecem que o profissionalismo não se restringe ao que se ensina, mas também ao modo como se ensina.